Trajetoria pela terra: na visão de um ex-acampado
“os Pistoleiros chegava nos barracos colocava fogo e corria com as famílias, batia e matava, ... alguém saia escondido soltava um foguete para cima a hora que o Foguete explodia podia saber, tem pistoleiro na área!
por Rosa Calisto
17de agosto de 2021

Isaias Gomes Damacenaex-acampado e atualPresidentedos Sindicato dos trabalhadores Rurais de Alto Araguaia
O
ex acampado e atual Presidente do Sindicato dos trabalhadores Rurais
de Alto Araguaia, o senhor Isaías Gomes Damacena nos relata algumas partes de sua trajetória no Movimento
dos trabalhadores Rurais, segundo o Sindicalista ele reside no
próprio assentamento o denominado de PA
Gato Preto, Terras estas conquistadas pelos
pais, Senhor Isaias se emociona em voltar ao passado e relatar
um pouco dos de 20 anos de luta e da chegada da tão sonhada
conquista..

Isaias Gomes Damacena
ex-acampado e atualPresidente
dos Sindicato dos trabalhadores
Rurais de Alto Araguaia
“Sim foi uma conquista desde os anos 1981 para 1982, na época que teve dois tiroteios e somente no ano de 1984, depois do tiroteio que o Incra veio fazer o perito para depois tá trabalhando para fazer o assentamento e depois que concedeu as terras em 2003”
Para o presidente as lutas foram muitas, porém as vitórias foram maiores, uma trajetória de 20 anos com muito esforço e guerras, na época junto o a família de Isaías também tinham mais 40 poceiros que lutava por uma área de aproximadamente 7353 hectares,
“ no início com toda essa dificuldade com essa guerra vamos dizer assim porque na verdade era uma guerra e teve muita gente que desistiram no meio do caminho a maioria morreu, uns por idade outros matados, em 82 teve um confronto que mataram três policiais de Paranaíba para trabalhar com fazendeiro para fazer pico, fizeram uma emboscada e mataram os três policiais e os outros correram e a tendência desses 40 poceiros. Foram morrendo por idade outros matados e assim por diante, hoje tem pouca gente viva daquela época... entre nós moradores fixos, praticamente dentro da área são quatro moradores, quatro familias do Gato Preto do início.
No ano de 2001 o Incra retomou as atividades no acampamento e fez os tramites legais e entrega dos lotes, para o ex- acampado falar sobre essa Vitoria e motivo de muita felicidade, não somente para sua família, mas para inumeras famílias que foram contempladas com os lotes,
“Hoje nós temos 87 lotes, hoje temos um PSF acabando de construir, temos escolas veio a energia Luz do Campo, foi enfrentado muitas dificuldades, necessidade na parte de alimentação , na parte de vestes, calçados, muitos sacrifícios, as pessoas não tinhão realmente para onde ir, não tinha um centavo no bolso, o que as pessoas fizeram? a questão de mata,, a mata aos pouquinhos derrubavam e ali já produziam alimentos, já plantava uma rama de mandioca, um milho, plantava um arroz... aí já começa a produzir o próprio alimento, passa a ter uma galinha um porco e assim sucessivamente”
Senhor Isaias conta que as pessoas da comunidade na época, eram muitos unidos, seja para o trabalho, quanto a segurança dos demais colegas, pois haviam muitos pistoleiros maldosos que os fazendeiros contratavam para matar os acampados, sempre em conjunto umas famílias ajudando as outras famílias;
“ na época teve muito mutirão juntava 30 pessoas, vamos ajudar a fulana? ali ia fazia rodízio, fazia muito serviço e Deus abençoava.... só que quando a pessoa tava dessa forma trabalhando trabalhando quando é fé chegava os Pistoleiros chegava nos barracos colocava fogo e corria com as famílias, batia se pegasse o dono da casa batia matava e o meio de comunicação era muito difícil e quando os Pistoleiros chegava na primeira casa alguém saia escondido soltava um foguete para cima hora que o Foguete explodia podia saber que tem pistoleiro na área! era o meio de comunicação mais rápido que tinha na época.... aí o pessoal corria já tinha lugar para eles andarem para atalhar e para se esconderem, tinha vezes que tinha policiais também tinham vários policiais e tiroteio.
Em meio a Ditadura, o sindicalista e presidente conta como foi o inicio da implantação e fundação do Sindicato no município de Alto Araguaia, seu pai foi uma das pessoas fundamentais para o processo e Isaias mesmo com pouca maturidade na época já entendia e enfrentava as dificuldades do momento para a classe trabalhadora,
“desde
86 eu sou associado ao sindicato meu pai é do começo da fundação
do sindicato mas os outros companheiro, o Sindicalista
tinha que andar nas escondidas amoitado muito complicado muito
pistoleiro que tinha Alto Araguaia”
Muitas
foram as lutas, mas inumeras foram as conquistas e na
perspectiva do Sindicalista com relação a
nova proposta do Programa
de Reforma Agrária Popular do MST
“em relação a isso, eu vejo o seguinte, que nós conquistamos muito no tempo anterior , que nós sofremos, quase chegamos perto do céu! hoje as coisas estão mais favoráveis democratizou mais, as pessoas adquiriram mais conhecimento, em cima disso baseado nisso essas várias conquistas, as dificuldades foi superada para acontecer, foi superada a habitação, linha de crédito Pronaf, conseguimos a escola, melhoramento da Saúde dentro do assentamento e assim as condições de vida das pessoas melhoraram, é muito difícil você chegar e ver uma pessoa dentro do assentamento que não tem nada, tem outras que foram para Cidade, uns com mais capacidade e outros com menos capacidade e nós no sindicato o trabalho na época, nós não tinha sede, não tinha nada adquirimos uma sede própria, construímos com recurso de mutirão, fizemos um mutirão e o prefeito na época entendeu e ajudou a gente fazer, nós representamos o município de Alto Garças, Alto Taquari e Araguainha, como presidente de Alto Araguaia nós temos uma Patrulha mecânica nós temos trator para trabalhar na agricultura familiar no custo baixo 90 r$ 70 a hora, sempre temos desenvolvido, não só na área da Agricultura Familiar.
O presidente destaca a importância do uso de novas tecnologias para a Agricultura Familiar para o melhor desempenhos das atividades rurais para o pequeno produtor
“eu tô falando com você aqui dentro do sítio, consegui colocar o wi-fi é o meio de comunicação rápida! Então hoje Todos nós temos que ter e a cadeia produtiva alimentar ao que nós precisa melhorar na nossa região...Nós precisamos de apoio técnico específico para agricultura familiar para cuidar dos projetos para serem desenvolvidos e capacitando nosso povo e acompanhando o projeto de cada um e Recursos na medida possívele isso chegar até os pequenos...nós temos ainda uma luta árdua pela frente e fazer outros assentamentos na nossa região e temos muita gente menos favorecidos que são trabalhadores e então precisando de uma oportunidade é muito difícil o pequeno produtor conseguir chegar lá sozinho”
O
presidente ressalta a importância do projeto sair do papel o mais
rápido possível.
“Eu vejo
essa reforma popular da Agricultura Familiar ela tem
um passo fundamental
porque ela se torna específica para isso, eu vejo que ela tem grande
importância porque vai agregar mais pessoas para correr
atrás da técnica na prática da informação,
capacitação, eu vejo nessa forma que vão crescer neste
acompanhamento vai ter mercado … que vem somar tenho que
dizer parabéns! Uma forma tecnológica parabéns para
esse importante
projeto que ele vem aproximar da Agricultura Familiar vejo que a
importância e isso
tem que sair do Papel”
Assim como Senhor Isaias, muitos pequenos produtores e acampados por esse Brasil a fora, estão na expectativa e ansiosos para a Programa de Reforma Agrária Popular do MST , para assim poderem usufruir da terra para o cultivo de alimentos para o sustento de sua família e toda a região.
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